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POR QUE PAGOU, PAGOU POR QUE!?

A televisão, cada vez mais, vai deixar a tela tradicional. Pra entender essa projeção futurista é melhor pensar a partir da definição do que é exatamente “televisão”.

Um bom começo é o Wikipédia, que traz definições curiosíssimas quando quer explicar as coisas mais comuns deste mundo. Lá está: “televisão é um sistema eletrônico de reprodução de imagens e som de forma instantânea.” Para esta nossa reflexão, a parte mais importante da definição do Wikipédia está numa advertência, logo em seguida: “o televisor …… às vezes recebe erroneamente também o mesmo nome do sistema…… “. Ou seja, “televisão” é um sistema todo que manda som e imagem para o “televisor”, que é apenas uma tela. Claro, quando não tinha tela em nenhum outro lugar, televisor e tela eram uma coisa só. Mas agora, do mesmo jeito que o seu microcomputador pode ser uma máquina de escrever, depois uma máquina de calcular, ou de jogar xadrez, também pode virar um televisor. O seu celular, computador que é, vira televisor. Isso você já sabe faz tempo.

Onde está então a televisão, o sistema que fornece o principal entretenimento doméstico do mundo? Ela está no set-top box, que é quase um microcomputador. O Brasil e outros poucos países onde a TV aberta lidera, eram exceções. Mas com a TV digital o set-top box passou a dominar, assim como já acontecia nos países onde a TV por assinatura sempre exigiu set-top boxes. Mas agora, set-top boxes tem acesso à Internet. Então……

MAIS UMA VEZ, A INTERNET

Ainda nos ecos da CES – Consumer Eletronics Show, a exposição que aconteceu no início de janeiro em Las Vegas, esse novo conceito de TV criou um alvoroço. A Dish Network, uma operadora americana de TV por assinatura, anunciou o serviço via Internet. O novo sistema é denominado Sling TV. Custa US$ 20,00 por mês, um valor que já se encaixa nos padrões “cord-cutters”, os consumidores que não aceitam mais pagar muito por um sistema de TV por assinatura. Eles surgiram nos Estados Unidos depois que o sinal digital passou a garantir total qualidade de som e imagem. No mesmo rastro “cord-cutters”, HBO e CBS também anunciaram que vão lançar os próprios serviços de streaming independentes e a Sony, com o PlayStation Vue, coloca na praça o próprio serviço de TV alternativo.

Então vem a questão: e se o set-top box passar a ser a nova máquina absorvida pelo celular? Então “televisão”, que é um sistema, vai virar um apetrecho de bolso. Daí, em qualquer tela disponível, o cliente poderá instalar a sua “televisão”, onde vai assistir ao que quiser, com a comodidade das próprias configurações e downloads. Naquela tela que enfeita a sua sala, pode ser instalada tanto a sua televisão, quanto a televisão que está no celular do seu filho, com todas as preferências dele. Enfim, a televisão terá saído da tela e rompido os grilhões que a aprisionavam na sala dos mais diversos lares.

SEM RUMO

Devaneios a parte, a TV está cumprindo o destino que lhe fora atribuído desde que surgiu o sinal digital: nunca mais seguir previsões, existir sem destino. De fato, qualquer coisa que vira digital dá aquele “siricutico” de inventar daqui, reinventar dali e não para mais, não sossega num formato só. O lançamento do Sling TV traz ainda uma novidade que vai atingir em cheio o modelo de negócios associado a essa mídia. Os comerciais segmentados, onde um telespectador pode estar assistindo um comercial só para ele. No mesmo intervalo, outro telespectador estará recebendo a mensagem publicitária de outro anunciante. O que é um diferencial estratégico de anunciantes de algumas mídias via Internet, estaria agora na TV.

A Dish entrou nesse novo negócio com uma vantagem especial. Ela tem um acordo com a Disney que dá acesso aos canais da ESPN, um detalhe de peso para quem decide por uma TV por assinatura. Nesse modelo que está sendo criado estão excluídas as TVs abertas, que custam pesadas taxas de retransmissão. A Sling TV não quer onerar seus clientes para disponibilizar um conteúdo que é oferecido gratuitamente, por outra sintonia.

Em 2013 as assinaturas de serviços de TV caíram pela primeira vez nos Estados Unidos. Os críticos do Sling TV dizem que “vai ser uma coisa menor”, mas concordam que ele veio para ficar. As novas gerações engrossam a cada dia a comunidade “cord-cutters” e os comerciais segmentados prometem ser uma fonte de dinheiro extra. O que está se desenhando agora é um duro golpe nas operadoras de TV por assinatura, como a própria Dish. Ela vai perder contratos de um lado, com a expectativa de compensar com muitos contratos vindos do Sling TV. Há até a possibilidade do próprio Sling TV oferecer uma programação aberta pela Internet, com uma grade mais modesta, a custo zero para o telespectador, suportada apenas com receita publicitária.

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